Paraíba, sexta, 21/11/08
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ENTREVISTANDO

A Solidez do Cooperativismo Médico no Brasil  

“é necessário enxergar o cooperativismo médico como mais do que um modelo econômico, e sim uma força transformadora no Brasil” Dr. Francisco Vieira de Oliveira
Presidente da Unimed Campina Grande.

Desde o seu nascimento em Manchester na Inglaterra no ano de 1844, o modelo  Cooperativista ganhou o mundo e abraçou outras formas de trabalho. No Brasil, por exemplo, o sistema cooperativista já pode ser encontrado em 13 ramos, em um deles está a bem sucedida história do Cooperativismo de Trabalho Médico através do Sistema Unimed.
Da primeira Unimed nascida em Santos fundada medico Dr. Edmundo Castilho, em 1967 para os dias atuais, o Sistema Unimed é composto por mais de 380 cooperativas , congregando mais 100 mil médicos cooperados sendo Presidido pelo Médico Dr. Celso Barros da Unimed Rio.
Em Campina Grande a Unimed foi criada no inicio da década de 70, sendo a primeira cooperativa médica da cidade. Presidindo a Cooperativa em seu segundo mandato, o médico Ortopedista Dr. Francisco Vieira Oliveira afirma que não há mágica que explique a solidez e credibilidade da cooperativa, a não ser qualidade e transparência nos serviços prestados junto à medicina campinense.
.  Nesta entrevista, o Presidente da Unimed Campina Grande fala sobre o futuro da saúde  suplementar no Brasil e possíveis caminhos a serem adotados,  a valorização do ofício da medicina  além da chegada da tecnologia como instrumento de apoio na execução de alguns procedimentos médicos.

PARAIBAONLINE: Quando falamos em Sistema Unimed temos a dimensão de uma estrutura nacionalmente conhecida. E na Paraíba, o Cooperativismo Médico tem feito juz a idéia de valorização ao trabalho médico?

DR. FRANCISCO VIEIRA: É bom destacar que a Paraíba foi o Estado pioneiro na implantação do Cooperativismo médico no Nordeste seguida de Pernambuco. Nossa Federação reúne atualmente seis cooperativas, localizadas em João Pessoa, Campina Grande, Patos, Sousa, Cajazeiras e Guarabira, atualmente o Sistema Unimed na Paraíba e responsável por mais de 210 mil vidas e quase com mais de dois mil cooperados distribuídos nestas singulares.
Só a Unimed Campina Grande e responsável por 35 % dessa fatia de mercado tendo em sua carteira de cliente mais de 63 mil beneficiários, assistidos por 543 cooperados. Isto é sintomático, pois a historia da nossa singular é uma reflexo de toda uma trajetória de credibilidade de nossos cooperados em nossa filosofia de trabalho, e isso e repassado para a comunidade a quem assistimos desde o ano de 1971 quando foi criada a nossa Cooperativa

PARAIBAONLINE: Como o senhor avalia o mercado atual da saúde suplementar no Brasil  e como está contextualizado o Sistema Cooperativista Unimed ?

DR. FRANCISCO VIEIRA: A minha avaliação resume-se numa palavra: desafios. No mercado da saúde suplementar as Operadoras enfrentam verdadeiras discrepâncias dentro da sua realidade de custos. Um bom exemplo disso está nos investimentos operacionais com medicamentos, órteses e próteses, com índices de valores de até 80% acima da inflação. As conseqüências dessa realidade acabam sendo diluídas entre as próprias operadoras, que vivem engessadas por tetos de prestação de serviço regulamentado pela Agência Nacional de Saúde, Órgão do Governo Federal.No caso do Sistema Unimed o nosso desafio ainda é maior ao nos depararmos com desrespeito à Lei do Cooperativismo, já que a Constituição Federal garante às Cooperativas brasileiras, em nosso caso a Unimed, um tratamento tributário diferenciado, o que na pratica não ocorre. É necessário enxergar o cooperativismo médico como mais do que um modelo econômico, e sim uma força transformadora no Brasil.

PARAIBAONLINE: Em sua opinião como podemos dimensionar o espaço e a força que o Sistema Unimed tem no Brasil?

DR. FRANCISCO VIEIRA:
O Sistema Unimed através da Unimed do Brasil é uma das maiores referencia no Cooperativismo de Trabalho Médico no Mundo, a reunificação de nossas singulares ocorrida recentemente, como uma meritória conquista presidia pelo Dr. Celso Barros Presidente da Unimed do Brasil nos deu uma representatividade no mercado quantificada em 380 cooperativas em todo o Pas, congregando mais 100 mil médicos cooperados responsaveis pela assistemcia de mais de 14,2 milhões de clientes em todo Brasil , o que representa uma ocupação de mais 80 % do território nacional

PARAIBAONLINE: Para os serviços de Operadoras de Planos de Saúde no País recai o perfil de um dos setores mais questionados na justiça, a que se deve isso?

DR. FRANCISCO VIEIRA: Grande parte dos questionamentos na justiça se refere a não cobertura de certos procedimentos solicitados por alguns beneficiários. Acontece que desde a regulamentação dos planos de saúde no ano de 1998 através da Lei No. 9.656, passamos a trabalhar com dois tipos de clientes. Clientes possuidores dos planos não regulamentados, ou seja, planos com coberturas limitadas anteriores a regulamentação, assim como temos os clientes de planos regulamentados, adquirido a partir da nova lei cujas coberturas estão adequadas ao Rol de Procedimentos estabelecido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS.
Mais de 90% dos casos questionados na justiça partem de clientes de planos não regulamentados que buscam concessões não regidas em contrato

PARAIBAONLINE: E como a Unimed Campina Grande tem equacionado essa questão na cidade?

DR. FRANCISCO VIEIRA: A filosofia da Unimed Campina Grande sempre foi a de respeitar o seu cliente através do maior ponto de equilíbrio na relação entre o beneficiário e a instituição que é a celebração contratual. Sempre fizemos questão de cumprir cada quesito que ali está, aliás, nosso vínculo com Campina Grande há mais de três décadas justifica-se exatamente por prezarmos pelo respeito e transparência junto aos nossos clientes. Por isso investimos nas informações e comunicação junto aos nossos clientes

PARAIBAONLINE: Qual a fronteira que divide a responsabilidade de uma Operadora de Saúde Suplementar e a do Governo Federal para com os clientes que possuem planos de saúde?

DR. FRANCISCO VIEIRA: Para mim a responsabilidade de assistência a saúde de clientes ou não clientes de planos de saúde é fundamentalmente do Estado. Esta é uma das prerrogativas presentes em nossa Constituição Brasileira. Os mais de 40 milhões de brasileiros que optaram pelos serviços da saúde suplementar, escolheram um serviço adicional, um suplemento e não um substitutivo. Tanto é que somos regidos por um órgão federal, a Agência Nacional De Saúde Suplementar – ANS, que dispõe e demarca muito bem nossa área de atuação, incluindo um rol de procedimentos que mesmo com uma ampla cobertura ainda é limitada se comparado com as obrigações de assistência do Governo Federal para com a comunidade. 

PARAIBAONLINE: Que perspectivas o senhor vê a curto prazo que possam delinear os rumos das Operadoras de Planos de Saúde no País?

DR. FRANCISCO VIEIRA:
O que temos hoje no mercado da saúde suplementar é um enorme descompasso entre o que se exige das Operadoras e as condições que as mesmas possuem. Os índices de reajustes permitidos pela ANS para que as operadoras possam trabalhar, não acompanham o frenético ritmo dos custos médicos com medicamentos e materiais cirúrgicos. Não bastasse isso, temos que cumprir com obrigações logísticas e financeiras exigidas pela ANS, através das suas Resoluções Normativas. Um exemplo disso são as Provisões Técnicas, uma espécie de lastro financeiro exigido pela ANS junto as Operadoras e que infelizmente poucas estão cumprindo a risca tal norma. Neste campo temos orgulho de afirmar que a Unimed Campina Grande é uma exceção por fazer valer a sua saúde administrativo-financeira sendo referência para outras singulares no país.

PARAIBAONLINE: Como a Unimed Campina Grande trabalhou a necessidade da informatização junto aos seus prestadores? Houve resistência para a chegada do TISS, já que essa nova modalidade de trabalho passa a ser uma exigência da ANS?

DR. FRANCISCO VIEIRA: No princípio sim, como toda e qualquer inovação, sentimos um certo desconforto  por parte dos nossos parceiros. Mas decidimos investir na conscientização de uma realidade já presente e regulamentada através da Resolução Normativa nº153 publicada em maio deste ano pela ANS. A Unimed decidiu realizar workshops junto aos seus prestadores e através deste canal reforçar a importância do momento da chegada do Sistema TISS, repassada por nossos profissionais A resposta foi a grande participação dos nossos prestadores nas demonstrações apresentadas assim como um bom numero de adesão ao novo sistema. Para se ter uma idéia atualmente 25% dos nossos prestadores já estão estão fazendo uso do novo sistema, ressaltando que mais de 60% de todos os nossos parceiros já deram inicio a implantação do Sistema TISS.Se conhecemos algo sobre a realidade do SUS, e pelo dados colhidos através do Programa DATASUS que cumpre o papel de quantificar e definir o atual perfil do Sistema Único de Saúde no País,agora chegou a vez da saúde suplementar

PARAIBAONLINE: Como está sendo a implantação da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos – CBHPM um novo referencial de remuneração ao trabalho médico?

DR. FRANCISCO VIEIRA: A Unimed Campina Grande endossa esse novo parâmetro de remuneração médica por entender que a CBHPM é uma conquista da classe médica numa luta conjunta iniciada nos anos de 1998 e 1999 e que mobilizou a entidades de classe como o Conselho Federal de Medicina, Associação Médica Brasileira e Conselho Regional de Medicina. A transição da
da antiga tabela da AMB para a CBHPM foi feita com bom grau de segurança . E primeiro de janeiro deste ano passamos a  valorizar o ato cooperado  pagando o valor de – 25 % do valor da CHBPM o que equivale a um valor de R$ 31,50 num espaço de 60 dias em  no inicio do mês de março ampliamos este valor para uma banda de -20%  o que elevou o valor do honorário  dos nossos cooperados para R$ 33,60

PARAIBAONLINE: A Unimed Campina Grande abriu recentemente inscrições para o ingresso de novos médicos na Cooperativa. Na prática o crescimento no número de cooperados traz influência direta na prestação de serviços ao cliente Unimed?

DR. FRANCISCO VIEIRA: A chegada de novos profissionais de medicina junto a Unimed Campina Grande potencializa nossa Cooperativa com novos conhecimentos e novas perspectivas, o que acaba sendo uma perfeita permuta de experiências junto com os cooperados veteranos. A Unimed também ganha ao ampliar seu leque de opções junto aos nossos beneficiários.Cada novo médico com desejo de ingressar em nossa cooperativa além de passar pelos parâmetros de exigência da Unimed deve estar ciente da filosofia cooperativista. Como sócio-cooperado fazer jus a valorização do nosso patrimônio líquido de forma ética e sóbria, além de honrar obrigações técnicas que nós como operadora temos junto a Agência Nacional de Saúde.

PARAIBAONLINE: Cooperado ou Cliente, quem acredita na Unimed Campina Grande deve se basear em que motivos?

DR. FRANCISCO VIEIRA: Diria que acima de qualquer motivo está no respeito e valorização a um patrimônio de Campina Grande. A nossa Unimed não só tem a sua importância histórica dentro de 36 anos de existência pela sua credibilidade e por seus serviços prestados. Mas é acima de tudo uma instituição de Campina Grande, o que aqui e investido a cidade e que ganha, seja na valorização da medicina aqui exercida seja fluxo financeiro deixado em nossa cidade. Acreditar na Unimed é acima de tudo acreditar em nossa cidade.